terça-feira, 4 de junho de 2013

(Desas)Sossego

Sossego...
Centrada em mim
mergulho em paz, na escuridão do ser...
Absoluto breu, porque os olhos nao são nada

Aqui, importa apenas o silêncio
E as vozes que ele me trás
Aqui, o som vibra
e fala uma língua inexistente
A língua dos sentidos...
Metafísica da comunhão comigo mesma
Agora... Não preciso de ninguém
Subitamente, necessito de estar comigo
Tenho saudades de mim mesma, no barulho das luzes
E nelas, o desafio é não me perder
Observo a vida de cima
Enquanto me inscrevo em mim
Ao invés de me esconder
Abro-me e sou una com o mundo
Com os mundos...
Será que tudo faz parte do grande tabuleiro?
Eu e os outros... peões!... ligados por um tempo qualquer
Percorrendo a mesma viagem
Em disfarçada comunhão...

E tu estranho?
Que vens fazer em mim?
Porque passas pelo meu mundo?
Em que épocas nos cruzámos e quem és para mim?
E eu... Porque te percorro e me enlaço no teu laço?
E páro, pra sentir!... Opto... Vejo... de cima!
Mergulhando no breu de mim mesma,
e disperto como nunca antes!..


Vivo esta vida de mortal... Com olhos de águia
e de Alma em punho!
Sentindo sem olhar...
Mas sofrendo o desengano
de humano coração

Sou una em mim
Aceito o que a vida me trás
Nua... E esbato-me no grande plano
Sou apenas o vazio...
Que liga estrelas e galáxias
E a relva em que nos deitávamos
olhando com os olhos,
o breu, vazio... do céu estrelado
             
              Sou a mulher encantada com os pontos de luz
que iluminam a noite
e resplandescem em teus olhos
               E Sou TU quando no silêncio
               as nossas almas trocam de corpo
e te sinto em mim

Agora, mergulho e encontro-me
Sobrevoo a vida
Reconheço o caminho...
Tê-lo-ei escolhido? SIM!
E sorrio... relembro as passadas...
Tantos cálculos e números só me cegaram!

Agora confio e percorro de olhos vendados
aceitando a inevitabilidade do desconhecido
como único caminho real
e confiando nos sentidos da alma
Opto, escolho e caminho
Aprendendo, evoluindo, conhecendo
Aceito e aprendo a cada percalço

Vivo a vida do coração
E choro lágrimas humanas
Porém, no desassossego mortal
Encontro-me comigo mesma
E persisto em discussões entre o coração louco e a sábia alma
Que observa apenas o essencial...
Persisto vivendo as perturbações
no silêncio bárbaro dos que sofrem
Embalada no colo do ser que sou na escuridão
e confortada pela essência etérea que há em mim
   Que me olha, directamente no centro...
    E me segreda... Vai correr tudo bem!

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