Escrevo... E não sei para quem
A Ti ofereço estas palavras...
Para quê?
Desabafos da alma, que deixa de encontrar sentido na razão...
Das lágrimas se pintam as letras
E do tom chorado da voz, emergem versos...
Para quê?
Quem os cantará?
Desejo secretamente que um dia
meus filhos e meus netos descubram toda a minha obra
E assim me conheçam aqueles
a quem nunca me desvendarei na totalidade...
Sendo parte de mim!
Aqui, dispo-me de filtros e vagueio
Perco-me em ideias difusas
Que talvez nunca sejam para eles
O que verdadeiramente escrevi.
Nesse momento, morta ou ausente
Ganharei vida e corpoGanharei forma e dar-se-à forma ás ideias
Reestruturarão a minha imagem
à imagem deles!...
Não serei eu... Verdade!
Mas múltiplas de mim mesma...
Não se erguerão certezas
Mas erguer-me-ei eu,
dispersa em personalidades diversas
Fantasia de quem julgar compreender-me...
Não serei uma! Mas muitas!
Ominpresente em cada um dos que me lê
e renascerei uma e outra vez...
Nunca me conhecerão na totalidade
Ao invés inventarão histórias que encaixem na tralha que lhes deixo
E ao juntar cada parte que deixo por desvendar
Permanecerei...
Ensinando-lhes que a vida nada mais é
Que o pulsar de tudo aquilo que Nunca poderá ser deixado em palavras!
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